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9 de dezembro de 2012

Literatura de Cordel

Literatura de CordelA estátuta do escravo Inácio, precursor da Literatura de Cordel através dos
seus Repentes. A estátua está no jardim da linda Catingueira, Paraíba,
em justa homenagem ao famoso filho - Foto: catingueiraonline.com
Recebem o nome de Literatura de Cordel as obras que são produzidas de maneira praticamente artesanal por artistas dos estados nordestinos, onde esta cultura surgiu através de um escravo, no século XIX. Essas obras, além do nível artístico, é uma difusão popular da arte folclórica nordestina. Nessa manifestação os artistas dos cordéis contam e cantam os costumes, as crenças ou personagens (reais e imaginárias).

Os exemplares têm uma tiragem de milhares de cópias e são vendidos nas feiras populares. Recebem o nome de cordel, por serem expostos à venda pendurados em fios de barbante.

Os temas são geralmente populares como a história do Padre Cicero, Lampião, Pedro Malazarte, Surubim, etc. Mas o tema Cangaço é o que mais ocupa as páginas dos cordéis. 

A literatura de cordel e o Repente, se fundem, pois um é semelhante ao outro. Um desafio de cantores repentistas pode transformar-se num cordel, assim como o cordel pode se transformar no repente. São duas culturas nordestinas, mas que se fundem. Tanto é que 

Inácio da Catingueira, o escravo tido como o criador da Literatura de Cordel, fazia os versos não escritos, mas cantados em desafios de Repentes. 

Embora a Embolada, seja também muito interessante, não se pode confundir, pois esta é cantada tão depressa que realmente vira uma “embolada”, exigindo muita perícia vocal do cantador, como diz a canção Festival de Embolada, do CD Carga Pesada, da Som Livre.

Já os desafios de Repente, são cantados pausadamente, de maneira inteligível, ao som normalmente do violão ou de pandeiros e já exige do artista muita atenção e rapidez de pensamento, pois enquanto o desafiante está cantando uma quadra, ele tem que prestar atenção no que o outro está cantando e ao mesmo tempo ir formulando os versos na cabeça para dar a resposta.Quem foi Inácio da Catingueira

Inácio da Catingueira, escravo do fazendeiro Manuel Luiz, foi cantador lendário e citado orgulhosamente por todos os improvisadores do sertão. Seus dotes de espírito, a rapidez fulminante das respostas, a graças dos remoques, a fertilidade dos recursos poéticos, a espantosa resistência vocal, ficaram celebrados perpetuamente. Sendo negro e analfabeto não trepidou enfrentar os maiores cantadores do seu tempo, debatendo-se heroicamente e vencendo quase todos. Foi o único homem que conseguiu derrubar o mais famoso repentista da época, Romano da Mãe D’Água, depois de cantarem juntos oito dias em Patos, luta que é a página mais falada nos anais da cantoria sertaneja. Inácio nasceu no dia de santo Inácio Loiola, 31 de julho, na fazenda e povoação de Catingueira, perto de Teixeira, Ribeira do Piancó, no Estado da Paraiba, e faleceu aí, sexagenário, em fins de 1879. 

O nome certo do local onde nasceu Inácio, no século XIX, é Sítio Marrecas, como escravo de Manoel Luiz de Abreu, mas também foi cativo por herança de Francisco Fidié Rodrigues de Sousa, genro do mesmo. No inventário, Inácio da Catingueira, constou como bem, em valor de 1.200$000 (um conto e duzentos mil réis). Tal partilha foi procedida na residência do senhor Nicolau Lopes da Silva, filho da viúva Ana Joaquina da Silva, em 13 de fevereiro de 1875, oportunidade em que Inácio da Catingueira já contava 30 anos de idade e era considerado um imenso bem humano. No dia 22 de março, em seguida à partilha, o inventário foi homologado pelo juiz, dr. João Tavares de Melo Cavalcante Filho. O histórico documento encerrou-se com distribuição das custas aos serventuários da justiça, em 21 de abril do mesmo ano.

Nas pesquisas e informações que obtivemos através de Gervásio da Silva, de Saloá, Pernambuco, se desencontram apenas a idade de Inácio. Umas fontes trazidas por ele, dizem que Inácio morreu com mais de 60 anos, vitimado por pneumonia; e outras dizem que ele, vitimado pela mesma doença, haveria morrido com pouco mais de 30 anos. Pelo sim, pelo não, resolvemos manter as duas datas.

Inácio da Catingueira, analfabeto, teve como grande trunfo para conseguir a liberdade, o talento poético, com o qual sensibilizou o seu senhor. Não chegava a ser impedido de se ausentar da morada para qualquer viagem, por mais que demorasse e, ainda por cima, era dono de tudo o que conseguia como sua humildade artística.

O acontecimento que o tornou conhecido é tido também, como a maior peleja entre dois repentistas já ocorrida no Nordeste. O desafiante seria outro poeta, não escravo e já afamado, conhecido por Romano da Mãe D água, e tal embate se daria na cidade de Patos. A primeira vez que Inácio se deparou com aquele que seria um parceiro por muito tempo, foi registrada na casa de Firmino Aires, oportunidade em que se fazia acompanhar de um grupo proveniente de sua terra. O objetivo era apenas conhecer o homem tido como grande mestre. Levado para a presença do Rei dos Repentes, empunhando o seu pandeiro, Inácio foi desafiado por este, e o célebre desafio entre os dois cantadores e que sagrou Inácio o campeão inconteste, durou oito dias, garantindo público, em praça pública de Patos, nas redondezas da tradicional feira, proximidades da Igreja da Conceição. A partir daí, ficaram companheiros e, por onde passava a dupla, arregimentava verdadeiras multidões.

Inácio da Catingueira, segundo a outra fonte, veio a falecer acometido de pneumonia, em conseqüência de trabalhos no campo, época da queima de brocas, com pouco mais de trinta e três anos de idade. Seu corpo não foi sepultado na Fazenda, como de praxe faziam com os escravos. Repousa em uma praça, no centro da cidade, a qual leva o seu nome, tendo, inclusive, uma estátua em sua homenagem. Patativa do Açaré
"Eu nunca vi filho único 
Que não fosse preguiçoso! 
Quem anda com guarda-costa 
Não é valente, é medroso! 
O homem se faz por si, 
Ninguém nasce poderoso! 
O pobre fica maluco, 
O rico fica nervoso..."

A veia artística de Patativa e o deboche, que também é parte fundamental no Repente, como se insultasse o adversário. Mas, ao fim, os repentistas finalizam o desafio em paz um com o outro. Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido por Patativa do Assaré, nasceu em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, num pequeno sítio, no município de Assaré, no sul do Ceará. É filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, com a qual teve nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina em 1956; Cantos de Patativa, em 1966; e em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal.

Patativa do Assaré foi unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, dava sua receita poética: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.

Cresceu ouvindo histórias, desafios de repentistas e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Aos 18 anos foi para o Pará e enfrentou muitos repentistas. Quando voltou à sua terra, seu nome Patativa do Assaré, já estava consagrado no mundo do Repente e depois o seria também na Literatura de Cordel. Nessa época, alguns desses poetas populares eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Para não ser apenas mais uma patativa, ele adotou o nome de sua cidade.

Luiz Gonzaga, o rei do Baião, gravou muitas músicas dele, entre elas a Triste Partida, uma das músicas mais emocionantes gravadas pelo "Véio Lula", narrando a tristeza do migrante que é obrigado pela seca a deixar sua terra e partir com a família para terras estranhas.

Sobre sua vida, a obra mais recente é 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré', um trabalho do jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.

Patativa, como a maioria dos nordestinos, teve um começo de vida duro. Trabalhava na roça e ainda com deficiência física, pois perdeu um dos olhos aos 4 anos de idade. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'.

Apesar de seus estudos escolares só terem durado seis meses, pelo montante e importância de sua obra ele foi honrado com o título de doutor honoris causa por três universidades. Aos 91 anos de idade, com a saúde abalada e a memória começando a falhar, Patativa dizia que não escrevia mais porque ao longo de sua vida já dissera tudo que havia a dizer. Patativa do Açaré conquistou na Literatura de Cordel contemporânea a mesma fama do gênio pioneiro Inácio da Catingueira. Ele morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome, e onde se encontra um museu em sua homenagem.A saga de Lampião é o tema mais explorado
Na mente dos repentistas e escritores de Cordel, tem a miséria do sertão, tem as histórias mais populares, enfim, é uma mistura magnífica de problemas sociais, histórias e lendas. E, é claro que Lampião, o rei do Cangaço, é o tema preferido deles, até hoje. Prova disso são os dois livretos de Cordel que me chegaram ao conhecimento, durante a pesquisa para esta matéria. Abaixo o GNT publica as duas histórias, para quem conhece e gosta de Cordel, para quem tem apenas curiosidade e para aqueles que não conhecem. A primeira história é de autoria de José Pacheco e narra a hipotética chegada de Lampião no inferno e sua briga com os capetas; e a segunda, da autoria de Guaipuan Vieira, ao contrário do colega escritor de Cordel, narra a também hipotética ida de Lampião para o céu e os problemas que ele causa a São Pedro e ao Padim Ciço Romão. Vamos ler? Ah, sim, se você quiser, pode arrumar uma musiquinha de cabeça, como os repentistas do sertão, e até cantar...

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